Meditação

A meditação está na moda: colegas fazem férias em retiros de meditação, amigos trocam impressões sobre as ‘apps’ de meditação favoritas e inúmeros artigos tecem louvores a esta prática. Mas estará a meditação à altura das expectativas? “Esta ciência ainda se encontra num estado muito embrionário”, diz Richard Davidson, fundador do Center for Healthy Minds, da Universidade de Wisconsin, Madison, para acrescentar de seguida: “a meditação tem um papel importante na manutenção do nosso bem-estar.”

A maior parte da investigação incide na meditação mindfulnes. Trata-se de “estar atento às experiências do momento com abertura de espírito, curiosidade e vontade de estar presente tal como elas se manifestam”, explica Diana Winston, diretora de Educação Mindfulness no Mindful Awareness Research Center, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

 

MEDITAR PARA LIDAR COM A DEPRESSÃO

“A depressão recorrente é semelhante a um estado crónico de saúde, como a diabetes, no sentido em que as pessoas têm que aprender a melhor forma de a controlar. A Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT), ensina essa habilidade, escreveu Willem Kuyken, professor de psicologia clínica na Universidade de Oxford.

O autor examinou vários estudos no sentido de determinar se o MBCT, um programa de oito semanas desenhado para ajudar as pessoas a identificar e a dar resposta a sintomas de depressão, ajuda nos casos de depressão recorrente. Pessoas que se submeteram ao MBCT mostraram ser menos propensas a cair em depressão recorrente durante um período de 60 semanas. E o seu impacto é maior nos casos que apresentam sintomas mais severos.

Embora se desconheça a razão porque isso acontece, Kuyken diz que o MBCT ensina a lidar com as situações. “A ideia é as pessoas adquirirem capacidades que vão poder utilizar para o resto da vida”, afirmou.

 

MEDITAÇÃO E STRESS

“Quando se está stressado ou ansioso e a mente enfrenta o pior cenário possível, a meditação é uma ferramenta de redução de stress”, afirma Diano Winston.

E, ao que parece, com efeitos prolongados. Cientistas realizaram um estudo em 35 pessoas desempregadas a participar num programa de três dias envolvendo, ou meditação mindfulness, ou treino de relaxamento. Em ambos os casos foram realizadas ressonâncias magnéticas, antes e depois do programa. O grupo de meditação mindfulness sentiu menos stress e foram observadas alterações ao nível cerebral: as regiões que lidam com o stress comunicavam mais com aquelas responsáveis pela calma e pela atenção direcionada.

Não é consensual quanto tempo de prática é necessário para atingir estas alterações. Amid Sood afirma que as investigações mostram que são necessários 15 minutos de meditação para reduzir a pressão arterial. Mas há um dado em que os cientistas estão de acordo: a meditação é sempre um fator importante.

“Comecem pelo tempo que conseguirem, por pequenos períodos de prática várias vezes ao dia. Ou se vão sentir satisfeitos com esse tempo” ou vão ficar com “fome” de mais.

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